terça-feira, 24 de abril de 2012

O Pai-Nosso e as bem-aventuranças para hoje: Deus como Pai e seus filhos como pacificadores


O grande pai da igreja cristã Gregório de Nissa, escrevendo por volta do ano 380, relaciona o Pai-Nosso e as bem-aventuranças ao falar do caráter de Deus como Pai e da necessidade de sermos pacificadores se quisermos ser seus filhos. Como vimos nas edições anteriores (maio/junho e setembro/outubro de 2011), Gregório aborda esses dois textos com uma profundidade teológica e ética que desafia a nossa compreensão da mensagem evangélica.
 
Mateus 6.9 -- Pai nosso, que estás nos céus.
Gregório começa ressaltando o contraste entre o modo de Deus se revelar nos dois Testamentos. O cristianismo é a religião do “acesso democrático a Deus”. “Quando Cristo nos traz a graça divina, ele não nos leva ao monte Sinai coberto de escuridão, nem mete medo em nós pelo barulho insensato de trombetas. Tampouco ele deixa a multidão para trás no pé da montanha.” Os fenômenos aterrorizantes e o distanciamento criado por intermediários não caracterizam a fé cristã. Em Cristo, todos são chamados a testemunhar o poder divino. Mais do que isso, somos convidados a participar desse poder, assumindo “parentesco com a natureza divina”.
 
Isto está implícito na primeira frase da oração que Jesus nos ensina. Com essas palavras, afirma Gregório, somos convidados a deixar a terra para trás, repousar a nossa mente em Deus e abordá-lo pelo nome mais íntimo possível: Pai! Porém, há um problema: estamos tão acostumados com a prática cristã de se referir a Deus dessa maneira, que dificilmente percebemos o que está em jogo. Gregório, então, nos lembra da grandiosidade dessa oração. Para ele, “um ser humano tentando entender Deus não ousaria chamar Deus pelo nome de Pai, pois não vê nele mesmo as coisas que vê em Deus”. Deus é bom; como pode ser Pai de alguém com vida impura? Deus não muda, é sempre confiável; como pode ser Pai de seres humanos instáveis e inconfiáveis? Como pode o Pai da vida ter filhos sujeitos a envelhecer e morrer? Ou como pode um Deus que constantemente dá de si mesmo ser Pai de alguém tão ensimesmado como eu? “O injusto e impuro não pode dizer ‘Pai’ ao que é justo e puro, pois seria apenas orgulho e zombaria.”
 
Chamar Deus de Pai é estabelecer para nós mesmos “a vida mais sublime como nossa regra”. Temos que provar pela nossa vida que o parentesco é real. Gregório não minimiza as implicações desse desafio: “Se fizeres tal oração enquanto absorto em dinheiro, ou na busca da fama, ou escravizado pelas paixões... que dirá ele? ‘Não reconheço em ti a imagem da minha natureza’”. O Doador generoso está distante da pessoa cobiçosa; o Misercordioso, da pessoa cruel.
 
A oração do Pai-Nosso começa a parecer zombaria da parte de Jesus, tamanha é a incongruência entre o Pai e os supostos filhos. Entretanto, graças a Deus, há um sentido mais profundo. De acordo com Gregório, as palavras “Pai nosso que estás nos céus” nos lembram “da pátria da qual caímos e da dignidade que perdemos”. A alusão nesta frase é à parábola do filho pródigo. A virada na parábola é quando o filho cai em si e se arrepende: “Pai, pequei contra os céus e diante de Ti”. Esta confissão lhe dá acesso ao pai. Gregório, como muitos pais da igreja, gosta de relacionar os símbolos da parábola com a inversão da história da entrada do pecado no Éden. Assim, o manto colocado pelo pai no filho arrependido é o manto de glória perdido no jardim; o anel significa a recuperação da imagem de Deus; e as sandálias são para proteger-nos da mordida da serpente. Deste modo, para Gregório, a primeira frase da oração do Pai-Nosso nos faz “lembrar da nossa pátria”, da terra do nosso Pai. Contudo, como acrescenta, “a distância entre o divino e o humano não é geográfica; antes, está na escolha de cada pessoa”.
 
Permanece, porém, o desafio de “nos tornar igual ao nosso Pai por meio de uma vida digna”. Gregório nos desafia ainda mais ao dizer: “Mas a pessoa caracterizada por inveja, ódio, maledicência, orgulho, avareza, luxúria e ambição louca... que tipo de pai a ouvirá? Não o celeste, mas o infernal. Enquanto a pessoa má persiste na sua maldade, sua oração é uma invocação ao diabo!”.
 
Mateus 5.9 -- Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Uma característica em especial distingue os filhos de Deus: a de ser “pacificadores”. Pensemos nos líderes eclesiásticos, nas pessoas que nos são propostas como exemplos cristãos, e perguntemo-nos quais deles demonstram essa característica.
 
Gregório fica maravilhado ao refletir sobre as implicações da bem-aventurança: “Que dom incrível! O homem transcende a sua própria natureza, e de homem se transforma em deus, pois possuirá a dignidade do Pai”. Quem são, então, os filhos de Deus? “São os que imitam o amor divino pelos seres humanos. Esta obra ele ordena para você: expulsar o ódio e abolir a guerra, exterminar a inveja e banir o conflito, tirar a hipocrisia e extinguir o ressentimento no seu coração”, introduzindo em seu lugar os frutos do Espírito.
 
Por que Deus valoriza tanto o papel de pacificador? Porque “de tudo que os homens desejam, nada é melhor do que a paz. Pois todas as coisas aprazíveis da vida precisam da paz para serem desfrutadas. Bens, saúde, família, casa, amigos... que valem todos eles, se a guerra abrevia o seu proveito? A paz, então, adoça tudo que é valorizado na vida. Quem tem bom senso valoriza a paz acima de todas as coisas”.
 
Por que é tão difícil ser pacificador? “Um pacificador dá paz a outra pessoa; mas ninguém pode dar o que ele próprio não possui. A paz nada mais é do que uma disposição amorosa para com o próximo. É oposta igualmente ao ódio, à ira, à inveja, ao ressentimento, à hipocrisia e à guerra.”
 
O não pacificador prejudica os outros e faz mal a si mesmo. “Pensemos em todas as devastações produzidas na alma pelas paixões ligadas ao ódio. Os sintomas do demônio e os sintomas da ira são iguais [...]; e os sintomas de alguém consumido pela inveja são iguais aos sintomas da morte.”
 
A missão cristã é resumida na conclusão de Gregório: “Deus deseja que a graça da paz abunde na tua vida, para que a tua vida cure as doenças dos outros”.
 
Portanto, aquele que chama Deus de Pai cai em si e reconhece que está distante de casa, da terra do Pai, que é a origem e a finalidade da sua existência. A partir de então, vive na tensão entre, de um lado, os braços abertos e tratamento generoso do Pai e, de outro, o desafio permanente de manifestar os traços familiares. Um traço que resume boa parte da tensão é o de “pacificador”. Somente uma mensagem cristã que se caracteriza por criar pacificadores com uma “disposição amorosa para com o próximo”, porque primeiro cura as “devastações da alma” no interior da própria pessoa, merece vingar.
 
• Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é professor colaborador do programa de pós-graduação em sociologia na Universidade Federal de São Carlos e professor catedrático na Balsillie School of International Affairs e na Wilfrid Laurier University, em Waterloo, Ontário, Canadá. É autor de, entre outros, Nem Monge, Nem Executivo.

Deus, o jardim e o jardineiro

“E Deus os abençoou e lhes disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra”. (Gn 1.28)
 
Esse verso, conhecido como o mandato cultural – a ordem de Deus para que a raça humana se expanda e assuma o planeta – geralmente tem sido interpretado como uma permissão para que a humanidade exerça total domínio sobre a criação, multiplicando-se de forma indistinta. No entanto, é simplesmente o contrário.
 
Essa fala divina, na verdade, está inserida no contexto mais amplo da responsabilidade e do relacionamento. O que Deus fez foi entregar o mundo aos cuidados da raça humana, quando ainda éramos seus parceiros, antes de nossa queda por desobediência. Portanto, ver o mandato cultural numa perspectiva predatória, que é uma das marcas da rebelião da raça humana contra o Criador, é um contra-senso. Não combina com o caráter de Deus, com o estado da humanidade na ocasião e, muito menos, com a conclusão divina sobre a sua criação: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gn 1.31).
 
O problema é que adotamos parâmetros totalmente equivocados ao seguir a indicação de Deus, quando Ele diz ‘dominai’. Entre as muitas formas de exercer domínio, escolhemos o modelo antiecológico que praticamos atualmente, com os resultados nefastos conhecidos por todos. Entretanto, o contexto das Escrituras Sagradas fala de um modelo divino inequívoco: “Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar” (Gn 2.15). Ou seja, Deus propôs que o planeta fosse um grande jardim. Um jardim cuja essência é comunitária e no qual a beleza reside no conjunto: pressupõe harmonia e partilha de recursos, numa engenharia em que a sobrevivência e a necessidade de crescimento de todos os seres sejam garantidas. Em outras palavras, desenvolvimento sustentado.
 
No projeto de Deus, o homem é um jardineiro, com a peculiaridade, importante, de ser parte do jardim. E a restrição prescrita a todas as espécies – de não ameaçar a existência das demais – recai, por excelência, sobre o jardineiro: somos nós os responsáveis por administrar o relacionamento do planeta com os seus ocupantes, e destes entre si. Não temos, portanto, o direito de ocupar de modo ilimitado os espaços do planeta, ou de canalizar todos os recursos para nós, ou de qualquer movimento que ponha em risco a sobrevivência do planeta. Fazemos parte e somos dependentes do equilíbrio ecológico. Estabelecer limites para a nossa expansão sobre o planeta é um imperativo.
 
Se, desde o princípio, tivéssemos sido o jardineiro consciente que o Criador desejou, a experiência do jardim comunitário, da vida solidária, tornaria natural a busca por um desenvolvimento sustentado. Bem, não o fomos. Pelo contrário, tornamo-nos a antítese do jardineiro. Logo, duas questões, imbricadas entre si, foram tornadas urgentes: a racionalização do consumo  e a consequente recuperação do bioma. Assim, todos os meios salutares devem ser usados para que nossa existência não seja a causa da falência do planeta.
 
Alguém poderá objetar que não há mais tempo hábil, e que resta-nos aguardar pelo novo céu e pela nova terra. A Trindade, porém, nos pôs no jardim, dando-nos o modelo de sustentabilidade para administrarmos o planeta. Novo céu e nova terra é departamento de Deus, a sustentabilidade desta terra é tarefa nossa. Independentemente de quanto tempo temos, há uma missão a perseguir.
 
Não é tarde para apreendermos a perfeição do jardim de Deus.

Ariovaldo Ramos, filósofo, teólogo, pastor na Comunidade Cristã Reformada (São Paulo) e embaixador da Aliança Evangélica Brasileira e da ONG Visão Mundial.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Qual papel da igreja (setor 36) na Educação infantil?

É bom olhar para o passado e lembrar que a presença e a ação da igreja cristã contribuíram (e contribuem) muito para os avanços educacionais e a transformação social. O historiador Alderi Souza de Matos diz que “a necessidade do estudo da Escritura, o princípio do sacerdócio de todos os fieis e a convicção de que Deus deve ser honrado mediante o cultivo intelectual levaram os reformadores a incentivar a criação de escolas”. Já o pastor Manfred Grellert lembra que “o que mais marcou o Segundo Grande Avivamento no século 19, junto com uma poderosa proclamação do evangelho, foi o surgimento de numerosas ‘sociedades voluntárias evangélicas interdenominacionais’, como sociedades missionárias, de produção de literatura, de promoção de Escolas Dominicais, de reforma moral, e aquelas que buscavam a reforma da sociedade, lutando com assuntos como temperança, paz e abolição da escravatura”.

Há muitas informações sobre o assunto, mas gostaria de relatar somente três acontecimentos: um é a origem das escolas dominicais em Gloucester, uma cidade próxima de Londres, Inglaterra, em 1780. A ideia inicial do filantropo Robert Raikes era tanto cuidar da educação secular quanto transmitir conhecimento cristão especialmente para crianças pobres.

O segundo acontecimento foi a realização, em plena década de 30, no Rio de Janeiro, da XI Convenção Mundial das Escolas Dominicais, com quase 2 mil pessoas. Este fato incrível para uma época em que a igreja evangélica ainda era pequena no Brasil mostra a força do trabalho educacional das igrejas protestantes no mundo.

O terceiro acontecimento, não tão grande como os citados acima, foi a constatação em 2010, através de uma pesquisa realizada em algumas igrejas do setor 36 (Igreja Evangélica Assembleia de Deus – min. Belém). Onde dados levantados apontaram que a maioria dos cristãos que estão inseridos nas comunidades pesquisadas e que estão nas igrejas desde o nascimento ou desde a infância, possuíam um maior nível de escolaridade do que os que tinham aceitado a fé já adultos. Ou seja, dentre os pesquisados, os que tinham melhores formações educacionais nasceram em “berço” cristão ou estavam lá desde crianças.

Escola Dominical tem sua origem na missão integral
Inglaterra, 1780. A Revolução Industrial acha-se em processo. A primeira máquina movida a vapor foi patenteada por James Watt há onze anos. A transformação traz sérios problemas socioeconômicos, com implicações morais e religiosas. Há muitos crimes. Bebe-se como nunca. Os divertimentos populares são grosseiros. Não há instrução. As leis são aplicadas de modo brutal. As prisões são antros de doenças e iniqüidades. A miséria das classes pobres é alarmante.

Vamos agora a Gloucester, uma cidade não muito distante de Londres, à rua Sonthgate. Aquela casa de três andares e três sótãos, à esquerda, é a residência do jornalista e filantropo Robert Raikes. Ele é proprietário do Gloucester Journal, fundado por seu pai há 68 anos. Este homem de 44 anos vem se preocupando muito com a situação moral e espiritual do país. Observou que a ignorância tem sido uma das principais causas do crime. Há em Gloucester uma fábrica de alfinetes que oferece emprego para muita gente, especialmente crianças (o que hoje, felizmente, não acontece mais). Só não se trabalha aos domingos.

Com estas observações na cabeça, Raikes teve a brilhante idéia de organizar uma escola dominical. Mas esta escola não cuidaria apenas da educação secular. Ela daria ênfase à educação religiosa e teria a Bíblia como livro-texto. Assim muitas crianças pobres receberiam educação que as desviariam do vício e do crime.

A escola dominical de Robert Raikes começou em 20 de julho de 1780 e a idéia se espalhou com incrível velocidade. João Wesley deu total apoio ao movimento. Em 1875 organizou-se em Londres a Sociedade para Promoção das Escolas Dominicais nos Domínios Britânicos. No ano seguinte havia 200 mil crianças matriculadas.

No Brasil, a primeira Escola Dominical nasceu em Petrópolis, RJ, no dia 19 de agosto de 1855, na casa do médico e missionário escocês Robert Reid Kalley. Neste dia havia cinco crianças presentes, e a esposa, Sarah Kalley, contou a história de Jonas.

Como os problemas sociais e morais de hoje não são muito diferentes dos problemas de dois séculos atrás, vale a pena resgatar um pouco do cunho social que deu origem à nossa Escola Dominical.

Fonte: Revista Mãos Dadas nº 6 (julho/2003)

1932: Escolas dominicais acolhem crianças pobres

Nos dias 25 a 31 de julho de 1932 aconteceu na cidade do Rio de Janeiro a XI Convenção Mundial das Escolas Dominicais, com cerca de 1.850 participantes, vindos de diversas partes do mundo. Mesmo com a situação política interna crítica por causa da eclosão da Revolução Paulista naquele ano, os congressistas se reuniram no Teatro Municipal para discutirem os rumos da educação religiosa no mundo e o papel das escolas dominicais.

A preocupação com o ensino infantil tomou boa parte dos debates sobre os objetivos, os métodos e as estratégias para se alcançar as crianças com o evangelho e a educação religiosa. No relatório final, tem-se o seguinte quadro dos evangélicos no Brasil: “há atualmente uma comunidade evangélica total, no Brasil, computando mais de 400.000 membros, dos quais pelo menos 200.000 são crianças de idade escolar. Provavelmente, não há dessas mais que 10.000 crianças na escola primária e 10.000 nas escolas secundárias, da igreja evangélica”.

Estes números revelavam o pequeno alcance que as escolas dominicais e as escolas confessionais evangélicas tinham das crianças em idade escolar no Brasil. Naquele tempo, o ensino público e o ensino privado não alcançavam todas as crianças em idade escolar, sobretudo nas áreas rurais. Além disso, somente 10% das crianças das igrejas evangélicas frequentavam uma escola formal. Isto significa que as demais eram educadas somente pelas escolas dominicais que acolhiam crianças oriundas das camadas pobres da população.

Os dados e as estatísticas das escolas dominicais serviam como referência para a avaliação da presença protestante no mundo, sendo o ensino um fator de unidade num campo religioso marcadamente fragmentado e dividido. A educação era a missão comum dos diferentes ramos protestantes.

Acesse o relato completo deste evento: O Cristo Vivo: um recorte da Educação Protestante em 1932 (Lyndon de Araújo Santos) http://www.maosdadas.org/arquivos/file/Recursos%20oferecidos/MD25/o_cristo_vivo-lyndon_araujo-resg_memoria.pdf

2010 e 2011 se foram após a pesquisa

O que vimos na igreja evangélica nesse período? Evangélicos históricos não se apresentaram à sociedade brasileira uma única vez proclamando sua fidelidade ao “princípio protestante”. Timidez ou omissão? Sobre nada protestaram. Evangélicos pentecostais comemoraram os 100 anos do pentecostalismo introduzido pela nossa igreja, Assembleia de Deus. Neopentecostais incentivaram a prática da religião mágica, superstição, truques de prestidigitação, misticismo e abuso sobre a consciência, individual e socialmente, envolvendo campanhas e promessas, retrato cultural de crenças populares desde sempre: “Deus dará a vitória” e o pior nós pentecostais fomos também por este caminho. O Congresso Nacional foi acrescido de um excelente número de evangélicos “vitoriosos”, em função das eleições de 2010, enquanto o IBGE publica aumento no seguimento evangélico pentecostal e neopentecostal no Brasil.

Livrarias evangélicas enchem-se de bugigangas, enfeites, balangandãs sagrados, cosméticos “abençoados”. Indo a São Paulo, dois endereços obrigatórios: a 25 de Março e a Conde de Sarzedas. Não sendo necessárias as tradicionais bíblias evangélicas, porque as escolas bíblicas – que têm desaparecido em todo o protestantismo – não se fazem necessárias. Uma vez que na religião popular evangélica pentecostal e neopentecostal amuletos e objetos de magia religiosa preenchem a “zona cinzenta entre o sagrado e o profano” (expressão de Roberto DaMatta).

O governo em 2011 correu atrás de ministros corruptos, encontrou dezenas de pastores chafurdados nos setores viários, transportes, que envolvem bilhões de reais em concorrências suspeitas. Muitos deles, originários do PRONA e do Partido Liberal, fundidos no bloco evangélico, dão lições a laranjas com competência inimaginável. Igrejas são ensinadas a roubar do país. Amigos e parentes enriquecem, enquanto se foge da Receita e do Ministério Público. Como explicar essa associação, se o estímulo está nas novas igrejas, as que ensinam a teologia da ganância?

Prevê-se o fim definitivo do protestantismo ético. De quebra, o evangélico acha-se no dever de ser politicamente corporativo. “A Igreja Evangélica hoje não cresce, incha. A diferença é que um corpo, quando cresce, mostra saúde; já o inchaço é sintoma de alguma doença”, afirma Walter McAllister (Cristianismo Hoje, nov./dez.2011). Velhos adversários do protestantismo riem de boca grande, enquanto observam irrelevância e mediocridade nos representantes evangélicos.

A mais admirável personalidade evangélica de 2011 é um neopentecostal. Canais poderosos de televisão favoreceram o “culto doméstico” em torno da televisão (a TV Globo anuncia sua adesão ao evangelical business em 2012, R$ 2 bilhões anuais em questão - Folha Ilustrada 18/12/2011). Sem a presença corpórea da igreja, a televisão evangélica é “pastora eletrônica” de milhões, inclusive históricos, enquanto ensina o evangelho supersticioso e a ganância.

Mega-igrejas pentecostais e neopentecostais ganham aprovação de teólogos importantes, recebem “membros” de dupla confissão, e dupla convivência eclesiástica, aos milhares, devidamente cadastrados; fazem proselitismo por telefone, nas rádios e na TV; declaram o número de seus membros, os quais flutuam lá e cá sem pudores históricos.

Estimulando o egoísmo narcisista (Narciso gosta do espelho, acha-se grande, bonito, perfumado, charmoso, sonoro, sedutor...), exterminando o sentido da comunhão na congregação, onde estão enfermos, deficientes, crianças, mulheres violadas, idosos, carentes de cuidados, ignoram a congregação evangélica real. Sem lugar para socialmente fracassados, excluídos, abandonados pelos poderes públicos. Políticos vão bajular as igrejas nas eleições deste ano, e vice-versa, fortalecendo ao mesmo tempo a prática da compra do voto no culto. Curral eleitoral perfeito, igrejas, além de oferecerem o púlpito, ensinam a votar.

Realizando um inventário dos objetos constantes na residência de um crente evangélico, além dos folhetos contra o homossexualismo protegido por leis civis – e da campanha contra a pedofilia, que deu mais mandatos a políticos com dossiês de corrupção – somos surpreendidos por novidades simbólicas, além das camisetas pretas, entre as muitas encontradas na religiosidade popular. A vida devocional diária doméstica acompanha o uso da religião mágica, orações de poder e símbolos da religiosidade popular: rosas vermelhas, galhos de arruda, sal grosso, manto santo, chave da vitória, lenço da cura; vigília do milagre, unções supersticiosas, carros e residências ungidos, e diversos outros resultados materiais.

A neopentecostalização eclesiástica inclina-se também à simplificação do culto e procura do melhor espetáculo litúrgico, transformado em show e cantorias do pior gosto musical. Uma droga! Competindo com outras, no individualismo eclesiástico, repetem lições de intolerância. Moradores de rua, prostitutas, minorias sexuais, trabalhadores de baixa renda, imigrantes haitianos, bolivianos, deficientes físicos, idosos, não motivam evangélicos recentes. Luto assistido? Nem pensar. São esquecidos doentes terminais, que poderiam ser alvos de cuidados pastorais e eclesiásticos, conforto ao fim da vida. Não interessam, por serem dependentes de cuidados. Não sendo bons clientes, não são consumidores confiáveis. Espaços importantes são ocupados pela pregação interesseira. O apoio logístico à pentecostalização doméstica é avassalador. Inclusive nas igrejas históricas, as quais esqueceram as diaconias que as firmaram no mundo cristão. Sem novidades foi o ano de 2011.

É mais do que oportuno, é de extrema necessidade fomentar o compromisso da igreja Assembleia de Deus - nosso setor Vila Rio Branco - nossas congregações: Ponte Rasa ll, Ponte Rasa, Jd. Cotinha, Vila Santa Lúcia, Lagoa Mirim, Pq. Boturussú, Jd. São Carlos, Jd. Penha - com o ministério infantil e o movimento da Escola Dominical, que não pode ser dissociada da essência da Igreja como sinal do reino de Deus. As crianças têm o direito de saber de Deus. Têm direito de conhecer a Cristo. Elas precisam de recursos, de símbolos e de narrações espirituais, que proporcionam um espaço interior para as expressões fundamentais da esperança, do amor e da confiança, algo crucial para o desenvolvimento delas.

O século 21 traz novos problemas e desafios para a educação numa sociedade secular e pós-moderna. No entanto, os registros históricos (inclusive do nosso setor) mostram que Deus capacitou e ainda capacita a igreja cristã para exercer o seu papel no mundo, não somente gerando transformações espirituais, mas também mudanças sociais. Ambos os efeitos estão essencialmente interligados.
O que podemos fazer?

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Novo de novo (Gratidão e Fé)

Lucas descreve a cura dos dez portadores de hanseníase em que somente um deles, o marginalizado samaritano, volta para agradecer. A ele Jesus diz “a tua fé te salvou” (Lc 17.19). Ora, os outros também haviam sido curados, mas a diferença com esse é que houve reconhecimento e gratidão quanto ao que havia passado. Para ele então haverá fé fortalecida e reafirmada para enfrentar o que virá. Gratidão e fé andam de mãos dadas. Quem é capaz de reconhecer tudo o de bom que já passou consegue ver com mais sossego e confiança aquilo que ainda virá.
É preciso lembrar que o Senhor nos criou com corações ensináveis. Assim, devemos sempre nos lembrar daquilo que nos traz esperança. A esperança cura a alma e prepara o espírito para o que Deus fará.

Queremos agradecer os irmãos que se foram (pastor Orlando e família) e validar seu importante trabalho realizado na congregação de Ponte Rasa ll. Estes já fazem parte da nossa galeria de heróis (Quem são nossos Heróis) e deixam muita saudade em nossos corações.

Recebemos novamente o pastor Renato, sua esposa Adriana e o filho Henrique Matheus para mais uma trajetória eclesiástica em Ponte Rasa ll e fazemos isso com um coração aberto.



Sejam Bem Vindos

domingo, 8 de abril de 2012

A maior prova da ressurreição


Medito sobre a ressurreição. Mais que o fato físico de um corpo inanimado que voltou inexplicavelmente a executar suas funções biológicas, olho para Jesus Cristo e o vejo vitorioso. Venceu o que parecia impossível vencer. Superou o que aos olhos humanos não seria superado. A grande vitória da vida sobre a morte. A superação da esperança cristã sobre o pessimismo materialista (este que até parece algo são, mas não passa de mediocridade).
Ainda assim a ressurreição é bem difícil de crer e compreender, tanto como fato biológico quanto como significado metafísico e espiritual. Tomé quem o diga (ou prove). Precisamos de ingredientes concretos para falar sobre ela no mundo de hoje. Os ouvintes não serão satisfeitos apenas por provas físicas, mas precisarão encontrar significado real no que veem enquanto caminham.
Talvez a maior evidência resida, não no memorial religioso da Páscoa – há tantos outros memoriais religiosos e há tantas outras formas comerciais de comemorá-los -, mas na coerência de quem foi transformado e vive por meio da ressurreição de Cristo. Aqui está a grande prova e a grande responsabilidade: viver plenamente a ressurreição de Jesus Cristo.
Mas como?
Claro, não há fórmulas prontas, principalmente porque estamos falando de algo extraordinário em todos os sentidos. Mas não estamos totalmente confusos. Depois da confusão das primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus, veio a convicção e a alegria (Mt 28).
1. A vitória de Cristo no terceiro dia nos dá toda a esperança possível. Como disse certo teólogo, “depois da ressurreição de Cristo, é impossível perder a esperança”. E por esperança podemos entender a certeza de que Deus irá cumprir seu próprio desejo para o mundo. Não obstante o horror, sempre há no fundo um sonho do reencontro, da justiça feita, da cura, da alegria recuperada. Quando este sonho se encontra com o desejo de Deus, se transforma em esperança. Quem crê na ressurreição de Jesus, tem uma esperança concreta, baseada num fato histórico.
2. A vitória de Cristo nos faz enxergar a vida com olhos de primavera. “Se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!” (2 Co 5.17). Não precisamos das novidades fabricadas pela indústria do entretenimento; temos a obra de Cristo restaurando e tornando novas todas as coisas. Com isso, cada circunstância da vida, cada movimento, cada objeto ou ser vivo… tudo e todos são alvo da ressurreição de Cristo. O “Renovo” brota (Is 11.1). A poesia tem matéria-prima completa, a beleza faz sentido, a coragem volta, forte. A eternidade tem cheiro de primavera quando vivemos a ressurreição.
3. A vitória de Cristo restaura nossa noção de comunidade. Somos o povo da ressurreição, porque em Cristo os relacionamentos só existem à sombra da redenção. Nele, toda relação está submetida à realidade salvífica. Há salvação para o relacionamento quebrado. Há perdão. Há reconciliação. Assim sendo, caminhamos juntos; continuamos a errar, mas sempre lembrados pela Páscoa de que a morte foi derrotada, de que o terceiro dia anuncia a vitória do amor e da justiça sobre o mal. No Cristo Ressurreto, a comunidade é um edifício em construção – nunca terminado, mas sempre em construção. Sempre tijolos que antes estavam separados, ma agora juntos. Sempre há novos cômodos. Sempre há abrigo e acolhimento. Sempre há e sempre haverá uma comunidade distinta que respira o ar da ressurreição. Quem nos dá esta certeza é a ressurreição de Jesus Cristo.
Que nossas vidas provem que a Páscoa não é um mero feriado religioso, entre tantos outros.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ouse ser criativo

Dias atrás li uma reportagem sobre jovens que, observando as oportunidades do mercado, criaram uma empresa. Com poucos investimentos, eles obtiveram grandes lucros já no primeiro ano de funcionamento. Olharam, observaram as oportunidades e os desafios, planejaram, executaram e agora estão curtindo o sucesso e investindo na expansão de sua criatividade.
Criatividade talvez seja uma boa palavra para representar a fonte do êxito desta turma e de tantas outras histórias que a cada dia se tornam mais conhecidas pelo mundo inteiro. No Evangelho de Marcos, capítulo 2, quatro amigos passaram pela mesma situação. Eles tinham um interesse, observaram os desafios para alcança-lo, as oportunidades disponíveis e não se acomodaram com a situação em que estavam, pois sabiam que poderiam atingir algo muito maior. Eram jovens, fortes e saudáveis. E também eram obstinados. Não seria pouca coisa que os impediria de chegar ao seu objetivo.
No centro de sua “missão” havia um outro rapaz: paralítico, incapaz, dependente, incômodo. Ocupava mais espaço que todos e, naquela época, não havia prioridade para PNEs . Talvez ele estivesse cansado, envergonhado, com uma autoestima destruída, desacreditado em si mesmo e nas pessoas. Além do peso da dificuldade física, era um peso emocional, espiritual.
A história é bem conhecida e sabemos que os quatro amigos conseguiram apresentar o paralítico a Jesus. Mas o time teve que planejar cada detalhe de sua ação, observar o ambiente do bairro onde Jesus estava, dar voltas na casa para procurar aberturas e ser criativo e ousado. E foram. O texto não diz como, mas os quatro rapazes subiram o amigo deficiente no telhado; o texto não diz como, mas retiraram a cobertura da casa sem que esta caísse na cabeça de alguém (a de Jesus, por exemplo); o texto não apresenta os “como”, mas relata com clareza o êxito da iniciativa.
Jesus também percebeu que a criatividade e a ousadia daqueles rapazes era movida pela fé que eles tinham de que Jesus poderia fazer a diferença. E fez! E fez ainda mais do que eles esperavam, como sempre faz. Jesus não apenas curou, mas também perdoou os pecados, isto é, deu a salvação àquele paralítico. Não sabemos os nomes destes cinco homens, mas sabemos que por aquela atitude entraram eternamente para a história.
Somos seres criativos, à semelhança do Criador. E podemos, com ousadia, fazer grandes coisas para esta geração. Não precisa ser de grandes proporções, movimentando centenas e milhares de pessoas, mas grandes movimentos porque o grande motor de tudo isso é a fé. Era isto que os movia a superar todos os obstáculos, e é isso que pode nos levar a fazer coisas antes inacreditáveis com o propósito de apresentar a Jesus aqueles que precisam de cura e salvação. Criatividade e oportunidade sempre existirão para aqueles que, movidos pela fé, procuram apresentar “enfermos” Àquele que pode curá-los. Há doentes em nossa geração?! Então há espaço pra você agir. Olhe, pare, pense, ore, planeje, ouse, faça!
E, no final de tudo, você entenderá que seu nome não precisa aparecer, pois tudo o que fazemos é pra Glória de Deus. Esse é o maior e eterno lucro que alguém pode ter.
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Rodolfo Gois é Diretor Pastoral do TeenStreet Brasil e pastor da IPIB.

terça-feira, 13 de março de 2012

QUAL É O SEU TALENTO?




Nunca os programas que procuram talentos fizeram tanto sucesso. Seja na TV aberta, ou por assinatura, programas como Ídolos, Qual o seu talento, Raul Gil e etc têm conquistado o público. Mas...  afinal de contas, o que é Talento?

           

Vamos descobrir:

            A palavra talento vem da palavra grega tálanton que era uma medida de peso usada na Grécia e em Roma. Era uma quantidade de ouro ou prata.
            A palavra passou a ser utilizada como sinônimo de habilidade, dom, aptidão e inteligência por conta de uma estória contada pelo Senhor Jesus, conhecida como a parábola dos talentos.

            Veja:

            Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens, e a um deu cinco talentos, e a outro, dois, e a outro, um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles e granjeou outros cinco talentos. Da mesma sorte, o que  recebera dois granjeou também outros dois. Mas o que recebera um foi, e cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor. E, muito tempo depois, veio o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles.  Então, aproximou-se o que recebera cinco talentos e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei com eles. E o seu senhor lhe disse: Bem  está,  servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles ganhei outros dois talentos. Disse-lhe o seu senhor: Bem  está,  bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Mas, chegando também o que recebera um talento disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; e, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o  que é  teu. Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabes que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei; devias, então, ter dado o meu dinheiro aos banqueiros, e, quando eu viesse, receberia o que é meu com os juros. Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem os dez talentos. Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver, até o que tem ser-lhe-á tirado. Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes. (Mateus 25.14-30)

            Esta estória nos traz algumas lições:

1.      Jesus nos chamou e nos entregou talentos.
2.      Os talentos que recebemos são dados de acordo com a nossa capacidade.
3.      Todos recebemos talentos!
4.      Devemos usar os talentos que recebemos para conquistar outros talentos.
5.      Quando não utilizamos os talentos que recebemos sofremos prejuízos!

           
            Às vezes ficamos em dúvida sobre qual é o nosso talento. Veja se você se identifica com os talentos/dons que descreverei abaixo:

ñ  Naturais: são aqueles que nascemos com eles, ou desenvolvemos pelo aprendizado.  Exemplos: tocar, cantar, falar em público, escrever, desenhar, pintar, representar e etc.
ñ  Ministeriais: são aqueles que são dados por Cristo visando o aperfeiçoamento dos santos. Exemplos: ensinar, liderar, administrar, servir, animar, socorrer e usar misericórdia.

            Espero que você tenha se identificado com algum dos talentos que descrevi, ou tenha desejado aprender, ou desenvolver, algum talento natural para servir ao Senhor.

            Mas... Como podemos usar os talentos que Deus nos deu? Como podemos multiplicar os talentos que Deus nos deu? Estou usando mal o “meu” talento, e agora? Em breve!

Evangelista Fábio Magalhães

quinta-feira, 8 de março de 2012

Um "presente" para a mulher... e para a humanidade



Separar um dia para celebrar seja que data for é sempre semelhante a deparar-se com uma bifurcação em uma estrada: pode-se pender para um lado ou para outro. E ao se fazer esta escolha, depara-se com cinquenta por cento de chance de acerto e cinquenta por cento de chance de erro. Você já passou por isto? Estar diante de uma bifurcação e ter dúvida sobre pra que lado ir? Difícil dizer quem nunca se encontrou nessa situação. 

Como evitar este "aperreio" em uma viagem? Ora, a melhor saída é a informação. É necessário buscar dados mais concretos, pistas com quem já fez a viagem, ter um mapa em mãos, procurar auxílio na internet... Jesus já dissera que quem não planeja bem o que vai construir acaba por ser motivo de zombaria dos demais. 

Comparando, é assim que vejo a celebração de datas especiais, inclusive este Dia Internacional da Mulher. Estamos vivenciando o dia-a-dia, sem sequer pensar na mulher. Quando menos se espera, lá vem ele: o dia internacional “dela”. E agora? Bem, há dois caminhos a se seguir: pensar em alguma coisa “pra não passar batido" (que chamarei de Caminho A) ou realmente buscar o aprofundamento do tema, a ponto de se entender por quê se dedica um dia internacional a esta causa (que chamarei de Caminho B).

O melhor “presente”Se você escolher o Caminho A, então procurará agradar as mulheres que são importantes na sua vida. Comprará flores, um presente, um cartão, a levará a passeios, a visitas a familiares (isto se você for uma pessoa de sensibilidade mediana a boa). Na igreja haverá uma poesia, uma canção, uma música... E amanhã ninguém se lembrará de nada. 

Se você optar pelo Caminho B, então esse dia refletirá o que está sempre presente em sua vida: o respeito e a verdadeira preocupação com a vida, que inclui temas como o da mulher. Então celebrar esse dia significará:

a) Reafirmar, a partir das Escrituras, qual é o projeto de Deus para a Mulher (Gn 1 e 2);

b) Buscar compartilhar dados que colaborem para que este mundo veja as mulheres com os olhos de Deus;

c) Discutir qual o relacionamento cristão entre a mulher e todas as vertentes da vida: com o gênero masculino, a família, o trabalho, a realização pessoal, a missão cristã, a cidadania, a economia etc;

d) Junto com mulheres, crianças, homens, adolescentes, jovens e terceira idade denunciar tudo que tenta destruir as vidas que Deus criou: violência, sexismo, abusos, fome, desemprego, morte por não ter acesso à saúde etc;

e) Dessa forma, estará mostrando que realmente entende o significado da mulher à luz do evangelho de Jesus Cristo. Jesus quer o melhor para as mulheres e para toda a humanidade. Ele quer que a benção dele se derrame sobre toda a raça humana.

Olha só que presentão. O melhor presente para uma mulher é saber que ela é vista como Deus a vê, que ela é respeitada como sendo Igreja de Jesus Cristo, que ela é parceira missionária da humanidade e não uma raça inferior desprovida de dignidade; que ela é bênção de Deus, criada à imagem e semelhança dele... Por ser reconhecida como tal é que este dia é celebrado. Desse modo, dar-lhe flores ou presentes será apenas uma reafirmação de que estamos na mesma missão: servir a Deus e ao próximo. 

Que Deus nos abençoe. E que tenhamos um bom Dia Internacional da Mulher e de toda a humanidade. É isto que as mulheres desejam.


• Marisa Ferreira é bispa da Igreja Metodista na Região Missionária do Nordeste (REMNE). Foi eleita a primeira episcopisa da Igreja Metodista do Brasil em julho de 2001, no 17º Concílio Geral, em Maringá (PR). 

O Soldado (parte2)

Queridos, Graça e Paz!

Muito bem! Tivemos tempo para refletir sobre a atitude de um certo soldado (caso você não tenha lido, Clique aqui para ler o texto anterior!).

Talvez você esteja se perguntando, mas o que a atitude do soldado tem haver comigo e com o meu trabalho? Vamos aos esclarecimentos: este assunto está diretamente relacionado, não somente como agimos diante das circunstâncias, mas também como nos portamos no ambiente de trabalho. Temos que ter consciência de que o tempo naquele lugar deve ser utilizado para desenvolvimento das atividades a ele relacionadas, isto é, aquela vontade de tirar um “tempinho para oração” deve ser reavaliada.
Sabemos que às vezes, a pressão no dia-a-dia nos faz lembrar do Senhor. É claro que podemos e devemos nos recorrer a Ele, mas orando em espírito a todo instante, ou seja, não devemos nos ausentar com este objetivo. Observemos o que o Apóstolo Pedro deixou registrado em sua primeira epístola, no seu capítulo 2 e verso 18 “Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos vossos senhores, não somente aos bons e moderados, mas também aos maus.”. Não importa as características do seu superior, sirva com todo temor e alegria, sabendo que assim estará exercitando suas qualidades de cristão. Se necessário for, interceda por ele em casa, na igreja, na condução indo para o trabalho, mas não se ausentando durante o expediente.
No exemplo que citamos, nos deparamos com um saldado imprudente, embora corajoso, que não hesitou em contar a verdade, pois do contrário teria comprometido seriamente o tempo utilizado para orar ao Senhor!!

Pense nisso!  

No Senhor,  Pb. Renato Menezes

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Participe do Movimento Mundial de Oração Contra a Pobreza

(Tearfund Brasil) Ao redor do mundo, Deus tem renovado seu chamado aos cristãos para que se lembrem das pessoas pobres, para pensar e priorizar os últimos, os menos favorecidos e os perdidos em alguns dos lugares mais escondidos e obscuros da terra. Sabemos que os nossos melhores esforços não são suficientes. Precisamos de um mover de Deus, pois também sabemos que Ele nos chamou para orar. A oração é a nossa forma de intervenção mais poderosa; é um instrumento divino que nos ajuda a buscar a justiça e combater a pobreza.

Em 2011, a Tearfund lançou a campanha Uma Voz - Movimento Mundial de Oração contra a Pobreza – conectando-se a outras pessoas que demonstram seu amor por Deus envolvendo-se na oração incessante que combina reflexão e ação. Agora, estamos nos preparando para outra semana de oração com o fim de confrontar a injustiça da pobreza mundial, em que aqueles que amam a Deus e amam o bem-estar do nosso mundo, estarão reunidos para clamar em oração por aqueles que sofrem. De 26 de fevereiro a 4 de março de 2012 estaremos unidos a igrejas e organizações ao redor do mundo na campanha Uma Voz 2012 – uma semana com potencial ilimitado para as possibilidades da ação de Deus.
Então, oremos!
A partir do dia 26 de fevereiro, domingo, até o outro domingo, dia 4 de março, estaremos unidos com igrejas e organizações ao redor do mundo para celebrar, ouvir e responder às orientações de Deus. Estaremos concentrando nossa atenção em Miquéias 6:8, “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus”.
Esperamos que os seguintes recursos possam ajudá-lo a participar de Uma Voz, onde quer que você more.
Clique aqui para acessar os recursos em inglês, francês, espanhol e russo.
Clique aqui para participar do nosso espaço comunitário de oração e ver como este movimento de oração está se manifestando ao redor do mundo.
Se você tiver alguma pergunta, por favor, entre em contato com onevoice@tearfund.org
REFLITA. ORE. AJA. 
Reflita sobre a injustiça
Ore com bastante fé 
Aja com fé na bênção de Deus
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